“Os heróis antes de Zico”: Zizinho

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No primeiro post dessa série, o Redação Rubro-Negra contou a história de Dida, o maior ídolo da história do Flamengo antes de surgir o esquadrão da década de 1980. A história rubro-negra é repleta de craques; já éramos um time respeitado, nacional e internacionalmente, antes das conquistas da Libertadores e dos Brasileirões. O objetivo dessa série é resgatar essa parte da história e conhecer mais a fundo alguns dos personagens que são diretamente responsáveis por fazer o Flamengo do tamanho que é, hoje. Nessa matéria, falaremos sobre Zizinho, que foi o maior ídolo de ninguém menos que Pelé – e de nada menos do que o maior ídolo da grande Nação Rubro-Negra, até o surgimento do próprio Dida. Vamos lá!

 

A descoberta do franzino Zizinho

Tomás Soares da Silva nasceu em São Gonçalo, no ano de 1921. O apelido “Zizinho” surgiu ainda na infância, como uma forma de abreviar o diminutivo “Tomazinho”. Aos 18 anos, em 1939, o garoto já demonstrava uma aptidão imensa para ser jogador de futebol. Ele era um meia-direita, embora pudesse jogar em qualquer posição do ataque, e vestia a camisa do Byron, um clube de Niterói. Com capacidades de drible, finalizações e precisão nos lançamentos, ele tinha toda a condição de alçar voos maiores e buscar times de maior relevância. Mas um fator o travava: seu físico. Ele era um rapaz magro e franzino.

Quando tentou fazer um teste no América, o diretor de futebol do clube, Geraldo Costa Velho, afirmou que Zizinho era “muito mirrado para jogar futebol”. Ele também tentou o teste no São Cristóvão, mas sua ousadia em sair driblando os adversários custou ao jovem jogador: ele tentou passar por Afonsinho, zagueiro da seleção brasileira, e sofreu uma pancada no joelho que o tirou carregado de campo.

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Depois disso, Zizinho chegou à Gávea levado por Ari Fogaça, olheiro do clube. Ele não foi chamado o treino inteiro e devia estar ficando desiludido. Não só por seu físico, mas vale lembrar que o Flamengo já contava com um excelente quinteto de ataque: Sá, Valido, Leônidas, Gonzalez e Jarbas. Seria muito difícil um garoto de 18 anos conseguir vaga nesse meio. Mas faltando 10 minutos para acabar o treino, Leônidas levou a mão à coxa e teve que sair. O treinador Flávio Costa olhou as opções no banco, viu Zizinho e, despretensioso, o chamou para jogar.

Zizinho teve apenas 10 minutos para mostrar seu talento, e é sensato dizer que a missão foi mais que cumprida. Muito rápido, ele conseguiu driblar todos os zagueiros e acabou anotando dois golaços. Terminado o jogo, Flávio Costa ordenou que o jovem rapaz voltasse no dia seguinte. Ele começava a ser reconhecido pela comissão técnica e companheiros. O jogador argentino Valido viria a dizer: “no ano que vem, vou ver se saio da meia-direita. Com o futebol que você tem, ninguém pode ocupar melhor essa posição”.

 

O tri-campeonato carioca e o início na seleção

Zizinho conseguiu a titularidade no Flamengo. Mas, no final da década de 1930 e início de 1940, o Fluminense era soberano no futebol carioca. Tudo mudaria para o clube, e também para o jogador, em 1942. No início do ano, Zizinho foi convocado para disputar o Campeonato Sul-Americano (atual Copa América). Embora o título tenha ficado com o Uruguai, a experiência internacional certamente o fortaleceu. Nas primeiras partidas, ele saía do banco, mas ao final da competição, o Ziza já tinha uma vaga no time titular, e conseguiu marcar dois gols, contra o Equador e o Paraguai, em um total de seis jogos.

De volta para o Flamengo, o foco voltava a ser o Campeonato Carioca e pôr fim à hegemonia tricolor. O Flamengo começou o torneio desse ano de forma ruim. Empatou jogos importantes e quando começou a vencer, já era tarde demais. A reação veio mesmo no segundo turno, com oito vitórias e um empate em nove partidas. O Rubro-Negro manteve o ritmo avassalador no terceiro turno, com vitórias expressivas como 8 a 5 em cima do América, 4 a 0 no poderoso Botafogo e 7 a 0 no Bonsucesso. O título veio após o empate em 1 a 1 com o Fluminense na última rodada, quando era o resultado necessário para não ser mais alcançado pelo Botafogo. Nessa campanha, Zizinho disputou 25 jogos e marcou 11 gols.

Em 1943, o Flamengo teria uma média de gols um pouco menor que no ano anterior, mas ainda assim não deixaria de ser um time avassalador e extremamente regular. Após manter um excelente nível ao longo da competição, as últimas três rodadas foram de festa: 5 a 1 no Bonsucesso (com gol de Zizinho), 6 a 2 no Vasco (outro tento de Ziza) e 5 a 0 no Bangu para garantir o bicampeonato. Zizinho jogou 16 das 18 partidas e anotou 7 gols, mas contribuindo muito para a construção ofensiva da equipe como um todo.

 

Flamengo campeão carioca de 1943. Zizinho é o 8º, da esquerda para direita

 

Zizinho já era o grande ídolo da torcida na época. Leônidas já havia saído de forma conturbada em 1941 para o São Paulo e Domingos da Guia, no início de 1944, foi para o Corinthians. Tomás ainda tinha 23 anos, mas já conseguia ser a referência técnica de um clube do tamanho do Flamengo. A campanha do rubro-negro em 1944 ficou marcada pelo gol de Valido, na partida decisiva contra o Vasco, onde os rivais eram favoritos. Mesmo com febre, o argentino marcou o gol decisivo aos 43 minutos do segundo tempo, garantindo o primeiro tri-campeonato carioca da história do Flamengo. Nessa campanha, Zizinho disputou 18 partidas e marcou 8 gols.

Durante todo o tri-campeonato carioca, \izinho disputou 59 das 63 partidas, anotou 24 gols e distribuiu dezenas de assistências a seus companheiros – vale notar que, na época, essa estatística não era contabilizada e considerada relevante como nos dias de hoje.

 

Lesão e saída conturbada

O Flamengo ficou na terceira colocação nos Cariocas de 1945 e 1946. O futebol carioca era fortíssimo e muito competitivo na época. Zizinho ainda disputaria a Copa Roca em 1945, mas ele acabou jogando um dos Brasil x Argentina mais violentos de todos os tempos, uma final extremamente tumultuada que gerou revolta no jogador e o afastou da seleção brasileira por alguns anos.

Um fator que prejudicou demais o Rubro-Negro no final da década foi a lesão de Zizinho, em 1946, quando sofreu duas fraturas e ficou um longo período afastado dos gramados. Mas mesmo sem jogar, o atleta já era reverenciado pela torcida rubro-negra após um período vitorioso com o Manto Sagrado. Em seu retorno, ele continuaria a disputar os Estaduais pelo Flamengo. Em 1949, ele retornou à seleção brasileira para disputar a Copa Sul-Americana em 1949, onde Zizinho pôde conquistar seu primeiro título com a amarelinha, tendo marcado cinco dos 39 gols. À essa altura, ele era um dos maiores ídolos da seleção brasileira naquela época, e um dos grandes nomes para a Copa do Mundo de 1950, que seria disputada no Brasil.

Porém, antes da Copa, ainda em janeiro de 1950, surgia o boato de que Zizinho poderia deixar a Gávea rumo ao Bangu. Depois de dois meses de disputa, em que o Bangu se antecipou e conseguiu oferecer valores milionários para época, o Mestre Ziza deixava o Flamengo após uma década com 327 jogos e 145 gols (o 9º maior artilheiro da nossa história). O maior ídolo da história do Flamengo, até a chegada de Dida, anos depois – que, por sua vez, seria seguido por Zico.

Foto: Revista Placar

 

Zizinho disputou a Copa do Mundo ainda em 1950 com a seleção brasileira, mas acabou amargando o segundo lugar para o Uruguai, em uma das derrotas mais marcantes da história do futebol do nacional, o Maracanazo. O jogador também passou 8 anos do Bangu e é um ídolo do Alvirrubro. Ele ainda jogaria por São Paulo, Uberaba e Audax Italiano antes de se aposentar.

A saída conturbada não muda em nada a década vitoriosíssima de Zizinho vestindo o Manto Sagrado, nem a admiração entre torcida e jogador que deve ser sempre lembrada na história do Flamengo. Tomás Soares da Silva foi um verdadeiro ídolo do futebol brasileiro E rubro-negro!

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