Inter 2 x 2 Flamengo: empate no placar, vitória das ideias de jogo

Everton Ribeiro, sempre decisivo
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Muito já se falou e escreveu sobre o excelente nível técnico da partida entre Internacional e Flamengo, disputada neste domingo (25), pela 18ª rodada do Campeonato Brasileiro. E, sem dúvida, as ideias de jogo saíram vencedoras do Beira Rio, apesar da igualdade no marcador.

O confronto se deu, como se esperava, com tentativa de imposição de parte a parte. Eduardo Coudet armou o Inter como se esperava: com pressão e marcação alta nos primeiros minutos, para dificultar a saída de bola com toques curtos do Flamengo desde a defesa. A mesma estratégia tinha sido adotada no jogo contra o Atlético Mineiro, quando Thiago Galhardo fez o gol aos 8 minutos de jogo.

Por que fazer isso? Coudet sabe que seu elenco é mais curto e sente demais o segundo tempo das partidas. Assim, principalmente em casa e em confrontos diretos, as ideias de jogo do Inter são bem claras: marcar forte, sair na frente, se possível, ampliando o placar pra 2 a 0, e depois se garantir com um bloqueio eficiente no meio-campo e uma defesa forte.

Saiba mais: Everton Ribeiro faz nos acréscimos e Fla arranca empate no Beira-Rio

As ideias de jogo e sua execução em campo

No primeiro gol, Isla recebe a bola e Neneca, automaticamente, se posiciona fora da direção da baliza, para receber o passe de volta. No entanto, o chileno dominou a bola mal (erro técnico) e depois, demorou a fazer o passe de volta (tomada de decisão ruim). Foi atropelado por Patrick, que deu o passe para Abel Hernandez fazer o gol aos 7 minutos.

Mesmo jogando como visitante contra uma equipe forte, o Flamengo de Domènec Torrent também não abre mão de suas ideias de jogo. A saída de bola curta, além de fazer com que se quebre a primeira linha de marcação, proporciona superioridade numérica da intermediária em diante. Contudo, há adversários que conseguem encaixar a pressão e forçam erros técnicos e tomadas de decisão ruins em diversos momentos da partida.

Os dois gols do Inter saíram, não por conta da saída de trás com toques curtos. Eventualmente, um defensor ou até mesmo o goleiro pode “quebrar a bola” no ataque. Mas as ideias de jogo estão lá: passes curtos, jogo com apoio e opções de passe pra que a bola chegue ao meio-campo com o Flamengo em vantagem.

Planejamento estratégico x tomada de decisão do atleta

No segundo gol, Isla dá um passe difícil para Gustavo Henrique. O zagueiro domina mal a bola (erro técnico) e dessa maneira, fica com todas as opções de passe marcadas, como está abaixo.

Gustavo Henrique erra o domínio da bola e diminui a sua condição de encontrar boas opções de passe. Porém, tomou a decisão errada, e seu erro de passe gerou o gol do Inter (Crédito: reprodução da Internet/Edição: Anderson Lopes)

Ele poderia ter dado o passe no Natan. Ou até ter lançado a bola ao ataque (como o Filipe Luis indica, com a mão). Porém, GH tomou a decisão errada, baseada nas ideias de jogo e nos treinamentos: devolver a bola para o Neneca. A tomada de decisão foi ruim, já que ele não percebeu que Thiago Galhardo estava marcando a linha do passe, e aproveitou a assistência para fazer 2 a 1 aos 25 minutos.

Pedro, fundamental

Uma das virtudes do time do Flamengo neste período com Domènec Torrent é não abrir mão das suas ideias de jogo, que, além da saída de trás, passam por uma movimentação constante entre os atacantes, que ocupam os espaços designados na estratégia com muita dinâmica. E um destaque dos jogos recentes tem sido o centroavante Pedro. Sem dúvida, o camisa 21 vive um momento iluminado. E não são só os gols (8 nos últimos 10 jogos).

Pedro comemora seu gol contra o Internacional, no empate em 2 a 2.
Pedro marcou oito gols nos últimos dez jogos do Flamengo. (Crédito: UOL Esporte)

No seu gol ontem, ele deu um giro clássico de pivô de futsal em cima do zagueiro Zé Gabriel, partindo assim para o contra-ataque e concluindo com um chute de chapa, fora do alcance de Marcelo Lomba.

No segundo tempo, finalizou com estilo uma bola passada por Gerson já na pequena área. Pouco depois, finalizou de primeira uma bola rebatida pelo lateral Heitor, que cortou um chute de Vitinho. Heitor, mais uma vez, salvou o que seria, dessa forma, o segundo gol do Flamengo.

Antes de tudo, Pedro causa preocupação nos adversários. Ele une a capacidade de fazer o pivô e prender os zagueiros, com movimentação para criar espaços para os demais companheiros de ataque, além de finalizar com rara precisão.

Gérson, Vitinho e o jogo posicional

Quem me segue no Twitter (e se você ainda não segue, vai lá: @djmangueira) viu que minha preocupação maior durante a semana seria sobre quem entraria no lugar do Bruno Henrique. Até fiz uma enquete no sábado, a fim de saber a opinião do “amigo internauta”.

Como se previa, Arão entrou no meio e Gérson foi deslocado, em princípio, para o lado esquerdo do ataque, com Vitinho jogando pelo meio. A ideia do Domènec era até boa, mas na prática, não funcionou, Gérson, embora procurasse se movimentar pra ajudar Filipe Luis na construção das jogadas pelo setor, não foi tão bem. Já Vitinho acabou atuando como um segundo atacante, muito próximo do Pedro, o que não auxiliou como o imaginado.

Na volta do intervalo, Gérson e Vitinho trocaram de funções. Mesmo com mais liberdade, Vitinho flutuava entre a ponta e a meia esquerda. Aliás, Gérson, centralizado, virou dono do jogo. No fim, Vitinho saiu para a entrada de Michael e, aos 49′ do 2º tempo, Gérson partiu do lado esquerdo para o meio ao acertar o passe na cabeça de Everton Ribeiro para o gol de empate.

O detalhe do gol

Sobre o gol de empate do Flamengo, importante a movimentação do Lincoln, que inicia a jogada ao lado do Gérson e faz o movimento para dentro da área, com o intuito de arrastar a marcação. Vemos, nesse lance, as ideias de jogo do Flamengo bem definidas. Os movimentos não são aleatórios, mesmo nos acréscimos de um jogo difícil, valendo a liderança, fora de casa.

O passe de Gérson e o deslocamento de Everton Ribeiro foram precisos (Crédito: Premiere FC/Reprodução da Internet/Arte: Anderson Lopes)

Podemos observar que, mesmo com 10 jogadores dentro da área, o Inter deixa um espaço livre em uma zona importante. Além disso: não há ninguém próximo do Miteiro. A exemplo do jogo contra o Corinthians, ele se desloca livre para cabecear sem saltar e longe do alcance do goleiro. Tomada de decisão correta, baseada em movimentos treinados e em ideias de jogo que tomam forma.

Jogo encerrado, empate em 2 a 2 e o Flamengo se mantém brigando pela ponta da tabela no final deste primeiro turno. É provável que os dois pontos perdidos no Beira-Rio tenham deixado um gosto amargo na boca de boa parte da torcida. Porém, vale sempre a pena lembrar. Este é um time em construção, com ideias de jogo sendo solidificadas e, sobretudo, com os jogadores demonstrando alegria de estar em campo. Isto será fundamental nas batalhas que virão. Sigamos em frente, confiando na equipe.

Para terminar

  1. Não vou falar sobre arbitragem, nem sobre os dois lances muito reclamados de pênalti contra o Flamengo. Avalio o Wilton Pereira Sampaio como um árbitro que não merece o status que tem e, por isso, não me surpreende mais uma má atuação dele.
  2. O Flamengo conseguiu seu quinto gol no final de uma partida no campeonato, assim como já tinha feito contra Grêmio, Botafogo, Fortaleza e Goiás.
  3. Mais uma das ideias de jogo do Flamengo em ação é notada ao ver que, neste Brasileiro, o time saiu atrás no marcador em 11 dos 18 jogos. Resiliente, só foi derrotado três vezes, ao passo que virou três jogos e empatou cinco.

SRN!

Twitter: @djmangueira
Instagram: @djmangueiraoficial

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