E se você fosse o técnico do Flamengo?

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Ser ou não ser técnico do Flamengo, eis a questão.

E se você fosse o Abel Braga, o que faria diferente como técnico do Flamengo?

O que pode até ser uma pergunta simples, por outro lado, encontrar uma resposta nem sempre é o que parece.

Já se imaginou treinando um time recheado de excelentes jogadores, badalado pela mídia e com as obrigações de ganhar tudo o que vem pela frente?

“Tira o Arão, põe o Diego.” “O time é Arrascaeta e mais 10.” “Estes laterais não servem.”

Portanto, a vida de técnico do Flamengo jamais será cercada apenas pelo glamour de dirigir um time de mais de um quinto da população brasileira, mas, também por enfrentar por desafios às vezes quase que intransponíveis.

Muitos treinadores, história, nações…

Primeiro de tudo, é importante ressaltar que em toda a história do Flamengo já passaram quase que uma centena de treinadores entre brasileiros, estrangeiros, interinos e até um radialista.

Muitos foram os idiomas que já estiveram à frente do rubro negro. Além do Brasil, na América do Sul tivemos técnicos da Argentina, Paraguai e Colômbia. Da Europa, virem treinadores de Portugal, Inglaterra e Hungria. Ou seja, foram seis nações que contribuíram e muito para deixar a sua bandeira, e cada qual a sua maneira de ver o futebol a beira do campo dirigindo o Flamengo.

Flavio Costa, Jaime de Almeida, Kanela, Gentil Cardoso, Fleitas Solich, Modesto Bria, Yustrich, Zagallo, Joubert Meira, Claudio Coutinho, Paulo Cesar Carpegianni, Dino Sani, Carlinhos, Telê Santana, Andrade, Evaristo de Macedo, Luxemburgo, Washington Rodrigues, Joel Santana, Caio Junior, Cuca, Abel Braga, Dorival Junior, Mano Meneses, Muricy Ramalho, Reinaldo Rueda, Zé Ricardo, Barbieri…ufa!!!

Ser técnico do Flamengo é estar de bem com Deus e conversar com o diabo ao mesmo tempo. Se vencer você é elevado ao paraíso. Mas, se perder certamente as portas do inferno te esperam.

Alem disso no Flamengo existe uma verdade que parece ser absoluta. Treinar o Flamengo, tem que ter raízes rubro negras.

Carlinhos, Paulo Cesar Carpegianni, Zagallo e Andrade são exemplos de técnicos vencedores e que guardarão para sempre um lugar único em nossas memórias.

Acho que o próprio Vanderlei Luxemburgo ex-jogador do Flamengo, técnico vencedor e multi campeão brasileiro, flamenguista declarado, gostaria de ter em sua galeria de troféus, pelo menos um dos títulos conquistados pelo campeonato nacional representado com as cores do seu clube de coração.

…e vários estilos.

Paizão, professor, sargentão, de pele rubro negra, estrategista, estudioso, de seleção, gestor de grupo, e aí qual seria o seu perfil como treinador do Flamengo?

Tivemos também o Washington Rodrigues, Apolinho. O radialista da Rádio Tupi, de tão apaixonado pela causa, licenciou-se dos microfones para aceitar o chamado na época do então presidente (também ex-radialista) Kleber Leite, como uma verdadeira convocação para dirigir aquele time de 1995 que tinha como slogan o melhor ataque do mundo, com Sávio, Romário e Edmundo, e o único jogo que me vem a mente foi daquela incrível façanha em Buenos Aires contra o Vélez Sársfield pela Supercopa de Libertadores quando vencemos de virada por 3 x 2.

A pressão de ser técnico do Flamengo

Estar a frente do rubro negro carioca não é apenas treinar um clube de futebol, é assumir a responsabilidade com uma Nação que exige vitória, acima de tudo, porque no hino do clube a palavra ‘vencer’ é dada como obrigação, e depois, porque não há meio termo ou negociação com as derrotas.

Ser técnico do Flamengo é também exigir que os seus comandados se doem em campo.

É ouvir a voz que vem das arquibancadas. De modo que, se não vencer na qualidade técnica, que seja por força da vontade e da raça de cada jogador em campo.

Treinar o Flamengo pode te remunerar muito bem, trazer grande parte da mídia junto e consequentemente a fama. Se nas vitórias serás o maior treinador do mundo, porém, nas derrotas, ‘burro’ será a palavra mais elogiosa que ouvirá das arquibancadas e das ruas.

“O Ministério da Saúde adverte: Treinar o Flamengo pode fazer mal ao coração”. E, Abel Braga que o diga.

Eu escalo, tu escala, ele escala e nós escalamos o Flamengo, e pronto.

Meu filho outro dia foi escalar o atual time do Flamengo, e ficou tão entusiasmado com a quantidade de bons jogadores que acabou colocando 12 jogadores no time titular.

Abel Braga, atual técnico do Flamengo disse outro dia que não dá ‘ouvidos’ as redes sociais. E pensei comigo, estivesse eu no comando do time, acho que também faria a mesma coisa.

Se o Presidente da Republica errar, ele estará cercado de escudos, ministros, assessores e todo um eleitorado a seu favor. Se o câmbio baixar naquele dia, oscilações na bolsa ou qualquer outro panorama econômico desfavorável acontecer, seguramente, uma nova ação será tomada, acordos ou uma canetada, e provavelmente, o quadro pode mudar no dia seguinte.

Por outro lado, se o comandante de mais 40 milhões de torcedores vacila e o Flamengo perde, melhor desligar a televisão, deixar o celular e computadores desligados.

Recomenda-se entrar e sair de seu prédio pela área de serviço. Em outras palavras, corre o risco do porteiro aparecer e te cobrar os motivos da entrada ou a saída daquele jogador.

Treinar o Flamengo é também saber conviver com a bipolaridade irracional da nossa torcida para escalar este ou aquele jogador. É entender que a pressão que antes era exercida pela geral do Maracanã, se modernizou e hoje atende pela Fla Mureta.

Em suma, ser técnico do Flamengo é saber que quando o time entra em campo, mais de um quinto da população brasileira estará de olhos, ouvidos e corações voltados apenas para os seus gestos, expressões e comandos que façam com que aqueles onze em campo façam o possível e o impossível para trazer somente a vitória, e não mais que a vitória.

Júlio Prudente

 

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