Após três títulos em seis meses e boa campanha na fase de grupos da Libertadores, pressão sobre Rogério Ceni diminui

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Acostumado a ser ídolo durante toda a sua vitoriosa carreira, como goleiro do São Paulo ou já como técnico do Fortaleza, Ceni vive no Flamengo uma prova de fogo: a convivência com as críticas, as justas e as injustas, a pressão da imprensa e de uma torcida que nos últimos anos se acostumou a vencer e a ganhar múltiplos títulos. Mas será que a conquista do Carioca e o inédito hexa-tri vão amenizar o clima e diminuir o peso nas costas do treinador?

Rogério Ceni nunca foi uma unanimidade desde que chegou ao Ninho do Urubu. Dele falou-se muita coisa: da inexperiência para dirigir um gigante como o Flamengo, da fama de ser autoritário, turrão, sem carisma e até mesmo da falta de um DNA rubro-negro. O que menos se discutiu naquele momento foi sua capacidade, seu jeito de ver o futebol e de armar seus times.

O começo turbulento, substituindo o técnico Catalão, Domènec Torrent, com as eliminações na Copa do Brasil, contra o São Paulo – antes mesmo que ele tivesse tempo de dizer a que veio – da Libertadores, diante do Racing (ARG) e algumas derrotas fora do script, só contribuíram para aumentar resistências e questionamentos. Já havia, com pouco mais de um mês de trabalho, quem pedisse a sua demissão.

Sequências de vitórias e os bons resultados têm abafado, por ora, a cornetagem. Tem sido assim até que uma nova e natural derrota aconteça. Nem a conquista do título brasileiro da temporada passada serviu para garantir um minimo da estabilidade necessária ao trabalho do treinador.

Rogério tem erros e acertos. Como, aliás, todos, inclusive Jorge Jesus, tiveram no comando do Mais Querido. Como esquecer a lambança daquela escalação do time contra o Emelec (EQU), fora de casa? Um susto que quase impediu a classificação para as quartas da Copa Libertadores em 2019.

É verdade que Ceni pode ser responsabilizado por muita coisa. No liquidificador das críticas, estão a insistência com Gustavo Henrique e Bruno Viana, a incapacidade – pelo menos até aqui – de corrigir as falhas do sistema defensivo, a relutância em escalar Gabigol e Pedro juntos, o apego a um Everton Ribeiro vivendo péssima fase, substituições que ao longo dos jogos não surtiram efeito.

Mas há algo que não se pode negar: não é por falta de coragem de arriscar e de ousadia do seu treinador que os problemas do Rubro-Negro não são resolvidos. Inventar Willian Arão como zagueiro, arrumar uma vaga para Diego como volante sem mexer no quadrado mágico que sustenta o time foram decisões, revolucionárias e corajosas de que poucos treinadores lançariam mão.

As pressões para a saída do atual comandante vão certamente diminuir com a conquista do último sábado. Mas é provável que seja por pouco tempo. Resultados à parte, até quando a diretoria do Flamengo vai manter seu compromisso e a avaliação positiva do treinador – não foram raros os elogios à forma de Rogério trabalhar até aqui – é uma incógnita. No futebol brasileiro não vale o escrito, o dito e o não dito se confundem e o que hoje é azul amanhã se torna amarelo. Tudo é possível. E ainda existe, neste momento, a sombra de Renato Gaúcho no ar dizendo que quer trabalhar no Rio de Janeiro.

Mas, se de fato ficar, Ceni tem de ter em mente que para dirigir o Flamengo, uma Nação, é preciso mais do que coragem, ousadia ou mesmo qualidades técnicas. É preciso ter casca grossa para suportar o peso que isso tem. Por muitos anos o fantasma de Jorge Jesus ainda vai pairar sobre o Ninho. Para o treinador, vida tranquila não haverá. É vencer ou vencer para sobreviver.

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