A Glória Eterna pelo olhar de um Torcedor!

A Glória Eterna
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A Glória Eterna é uma daquelas histórias que você não cansa de contar, tão pouco de ouvir. 

É aquele momento que você consegue unir vários pontos da sua existência. 

Lembranças, emoções, êxtase, catarse. 

Não tem um Rubro-Negro que eu conheça que não tenha uma história desse dia. 

Um dia que todos conseguem lembrar detalhes minúsculos desde o amanhecer, menos o segundo gol que talvez tenha sido o ponto mais alto de uma sinergia coletiva.

Era 23/11/2019. Sábado pela manhã eu partia para o trabalho tentando fingir que seria só mais um dia normal, com um jogo do Flamengo após o expediente. 

Até hoje me pergunto se eu realmente acreditava que estava conseguindo fingir ser um dia normal. Era impossível.

No meu trabalho havia uma outra atmosfera. 

Quem era Flamengo não conseguia se conectar muito bem com a realidade, pois quando você sabe que está vivendo a história, isso te tira um pouco do prumo. 

Quem não era Flamengo também não estava tão bem assim, pois sabiam o quanto seria difícil para vida deles, caso a Glória Eterna se confirmasse. 

O Rio de Janeiro em si estava diferente. Na verdade a energia do Brasil inteira parecia tentar se conectar. 

Eu tive a chance de folgar nesse dia, mas achei necessário trabalhar. Precisava tentar me ocupar com alguma coisa. Mera ilusão. 

O tempo era cruel, a hora não passava, o corpo parecia ir se anestesiando pois tudo aquilo era novidade. 

A galera do condomínio já bebia e se fartava no churrasco desde cedo, eu só pensava em chegar em casa e ir ver o jogo com meu pai. 

É rapaz, seu Sebastião Romildo Cunha é o grande culpado disso tudo, talvez nem ele soubesse o torcedor maluco (eu reconheço), que ele estava ajudando a formar. 

O dia lentamente foi passando, o chefe liberou a todos mais cedo, o Rio de Janeiro estava em festa, e como em final de Copa Do Mundo, os meios de transporte foram minguando a medida do tempo que chegava perto da partida. 

Enfim casa. Tomei meu banho, vesti a camisa e não consegui fazer mais absolutamente nada. Almoçar era impossível, então bora beber um pouco com o velho, coisa raríssima, mas esse dia merecia. 

Do  apito inicial ao primeiro gol dos caras foi aquela sensação de corpo absolutamente pesado. 

Você está vendo o jogo, mas não está conseguindo ver o jogo. Acho que vocês me entendem. 

Na sala estavam meu pai, minha mãe, minha irmã, e minha sobrinha de 10 anos que merecia uma história a parte. 

Ninguém estava em seu juízo.

Mesmo com o gol do River que normalmente faria o tempo acelerar, parecia ainda tudo travado. 

A história parecia querer moldar a cada um de nós, para que o valor fosse dado da forma certa, na proporção correta

Eis que veio o minuto 89, mas antes disso conto um segredo que poderá mudar a vida de vocês. 

Logo no começo da partida eu tirei o manto sagrado e fiquei segurando. Não estava calor, mas eu suava tanto que resolvi tirar. 

Assisti praticamente o jogo inteiro assim.

Antes do primeiro gol, veio um estalo e na mesma hora eu vesti novamente o manto sagrado. Foi como se todas as travas estivessem se abrindo. 

Menos de 1 minuto depois, no minuto 89 Diego Da o combate, Arrascaeta rouba a bola, Bruno Henrique faz uma jogada que ninguém no planeta faria naquela hora, Arraxxxca dá um carrinho que só um gênio daria e Gabigol. Gol. 

Nesse momento a alma definitivamente saiu do corpo. Chorava geral lá em casa. Só foi o tempo de correr no salão dar um grito e no que voltava pro meu apartamento aconteceu o minuto 91. 

O gol que quase ninguém viu em tempo real.

Eu que lembrava com muito carinho de momentos marcantes como o Gol do Pet, o Bloqueio que nos deu o título da superliga de vôlei feminino em 2001; Ronaldo Angelim e seu gol de cabeça antológico, o time de basquete sendo abraçado pela torcida no título Mundial de 2014.

Poderia sem medo de errar dizer que vivia o momento mais espetacular da minha vida como torcedor.

Gabigol predestinado.

A Glória Eterna se fazia real!

A Glória Eterna // Foto: Alexandre Vidal/Flamengo

A chuva caiu logo após o fim do jogo como se fosse para lavar a alma de cada um de nós. 

Eu fui campeão da libertadores, do lado de quem eu mais amo, em um dos roteiros mais sublimes do esporte. 

Uma única partida que me preparou durante toda ela, para chegar no final daquele dia e entender que tudo havia válido a pena. 

 

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